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O que foi a Religião para Giordano Bruno


Nascimento: 1548 em Nola.  Morte: 1600  em Roma aos 52 anos

Giordano Bruno foi um teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana (Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício) por heresia. .
Giordano Bruno afirmava que o universo contém um número infinito de mundos habitados por seres inteligentes. Essas afirmações  eram avançadas demais para a época em que ele vivia. Ao contrário de Digges, Giordano Bruno não imergiu os corpos celestes nos céus da teologia: ele nada nos fala sobre anjos e santos. Isso era demais para ser tolerado.
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"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade,
sentido ou natureza que lhe trace um limite." (Acerca do Infinito, o universo e os mundos, 1584)

Queimado vivo pela Inquisição romana

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Em 1584 Giordano Bruno escreveu seus mais importantes trabalhos. No seu livro "La Cena de le Ceneri" Giordano Bruno apresenta a melhor discussão e refutação, escrita antes de Galileu, das objeções clássicas, sejam elas aristotélicas ou ptolomaicas, contra o movimento da Terra. Neste texto ele defendia com ardor a teoria heliocêntrica.
No seu livro "De l'infinito, universo e mondi" ele afirma de maneira precisa, resoluta e consciente que o espaço é infinito. Ele também tem a ousadia de afirmar que movimento e mutação são sinais de perfeição e não de ausência de perfeição. Um universo imutável seria um universo morto. Um universo vivo tem de ser capaz de mover-se e de se modificar. Segundo Bruno como poderia o espaço "vazio" deixar de ser uniforme ou vice-versa, como poderia o "vazio" uniforme deixar de ser ilimitado e infinito? Do ponto de vista de Bruno a concepção aristotélica de um espaço fechado no interior do mundo é não só falsa como absurda.
Monumento erguido em 1889 por círculos maçônicos italianos, no local onde Giordano Bruno foi executado. Campo de Fiori, Roma, Itália
Estudou Aristóteles e Tomás de Aquino, predominantes na doutrina Católica da época, doutorando-se em Teologia. Suas ideias avançadas, porém, suscitaram suspeitas por parte da hierarquia da Igreja. Em 1576 foi acusado de heresia e levado a Roma para ser julgado. Poucos meses depois, abandonou o hábito e em 1579 deixou a Itália.
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Julgamento e execução de Giordano Bruno

 

Em Roma, o julgamento de Bruno durou sete anos durante os quais ele foi preso, por último, na Torre de Nona. Alguns documentos importantes sobre o julgamento estão perdidos, mas outros foram preservados e entre eles um resumo do processo, que foi redescoberto em 1940. As numerosas acusações contra Bruno, com base em alguns de seus livros, bem como em relatos de testemunhas, incluíam blasfêmia, conduta imoral e heresia em matéria de teologia dogmática e envolvia algumas das doutrinas básicas da sua filosofia e cosmologia. Luigi Firpo lista estas acusações feitas contra Bruno pela Inquisição Romana:
  1. sustentar opiniões contrárias à fé católica e falar contra ela a seus ministros; 
  2. sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a    encarnação;
  3. sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo; 
  4. sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus; 
  5. sustentar opiniões contrárias à fé católica tanto sobre a Transubstanciação quanto a Missa;
  6. reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades; 
  7. acreditar em metempsicose e na transmigração da alma humana em brutos, e; 
  8. envolvimento com magia e adivinhação.

 No último interrogatório pela Inquisição do Santo Oficio, Giordano Bruno  foi obrigado a ouvir a sentença ajoelhado, e ele teria respondido com um desafio: Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam ("Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la"). A execução de sua sentença ocorreu no dia 17 de fevereiro de 1600. Na ocasião teve a voz calada por um objeto de madeira posto em sua boca.

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About Elma.C

Livre pensadora.▃▃ Sou uma mulher que percorre um caminho onde o racionalismo não tem meio termo, que enfrenta as intercorrências de suas próprias escolhas sem culpar-se ou aos outros na busca por justificativas, acreditando que será sempre uma aprendiz onde a existência é um eterno descobrir. Sou uma cidadã brasileira e acho que o melhor lugar do mundo está dentro do nosso próprio interior onde temos o poder de nos libertar ou aprisionar. ✔
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2 Ponderações:

  1. Ana,

    As vezes fico bestificado quando alguns, procurando justificativas para misturar ciência com religião, dizem que o pensamento religioso é perfeitamente compatível com o pensamento científico. Nunca foi, e jamais será. Nem mesmo quando eu era cristão eu concordava com isso.

    No passado, muitos cientistas não se arriscavam publicamente no tenebroso terreno da verdade, da lógica e da razão, por temer pela própria vida. Adotando uma postura diferente de Giordano Bruno, um dos mais famosos casos que exemplificam isso é o caso de Nicolau Copérnico, o qual tornou pública a sua teoria heliocêntrica somente no leito de morte.

    É seguro dizer que muita pessoas ligadas à ciência demostravam complacência em relação às religiões para não se tornarem alvo de perseguição. Ainda hoje acredito que alguns ainda o façam por covardia, complacência ou até por compaixão, no caso pelas pessoas simples.

    Li recentemente um artigo do Marcelo Gleiser em que ele conta que falava sobre ciência a uma emissora local de Brasília. Ele estava sendo entrevistado em uma estação de ônibus da cidade, e relata que enquanto ele falava entusiasmadamente sobre ciência e seus objetivos, foi interpelado por um cidadão comum que o perguntou: "então a ciência quer tirar deus da gente?". Nesse momento ele ficou aturdido por perceber o quão devastador seria para aquele senhor simples e sua esposa, que estava ao lado dele, a vida sem misticismo. Ele relata que de fato a ciência ainda não está preparada para tamanha responsabilidade e que a nossa sociedade ainda precisa evoluir muito até chegar a esse ponto. Antes precisamos e educar a todos, e com educação de qualidade.

    Abraço!

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    1. Giordano Bruno acreditava em Deus. Ele era contra a religião criada pelo humanos, mas defendia com veemência a existência de uma Inteligência Universal imanente ao universo. Ele foi condenado por suas crenças heréticas e não por suas crenças cientificas.

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